Foi nos anos 70 que descobri a riqueza étnica do « boulevard Saint-Laurent » de Montréal, e era lá que ia regularmente fazer as compras. Um dia após ter jantado no restaurante « Solmar », tive a curiosidade de subir ao andar superior para ouvir um cantor que me tinham dito, ter vindo cá pela altura da Exposição Universal de 1967. As luzes da sala, estavam frouxas e no fundo da mesma, um indivíduo com uma guitarra cantava em língua portuguesa, uma língua que aliás não conhecia. Imediatamente, fiquei persuadido que havia muita poesia que pairava na sala, fiando-me à postura e à expressão do intérprete. Este último quando sorria parecia feliz, mesmo se às vezes sentiamos muita tristeza nas suas canções. Voltei várias vezes ao mesmo lugar, e um dia tive uma conversa demorada com o Germano Rocha.